ÁUREA liderou as operações na perspectiva de venda no segundo trimestre, enquanto o banco central reduziu a sua quota para 20,90%
O Banco Nacional de Angola (BNA) perdeu peso na intermediação do mercado de capitais no segundo trimestre de 2026. A quota do banco central na perspectiva de venda caiu para 20,90%, contra 45,77% no mesmo período do ano anterior, segundo os dados do Relatório Trimestral do Mercado de Capitais da Comissão do Mercado de Capitais (CMC).
A redução corresponde a uma diferença de 24,87 pontos percentuais em relação ao segundo trimestre de 2025. A mudança ocorre num mercado em que as sociedades distribuidoras de valores mobiliários vêm assumindo uma parcela maior das operações.
A ÁUREA – Sociedade Distribuidora de Valores Mobiliários, do Grupo BAI, foi o intermediário com maior quota na perspectiva de venda entre Abril e Junho, com 26,58% do volume negociado. O BNA ficou em segundo lugar, seguido pela HCPS, com 10,05%.
Na perspectiva de compra, a liderança também pertenceu à ÁUREA, responsável por 36,53% das operações. A BFA Capital Markets ocupou a segunda posição, com 20,53%, enquanto o BNA representou 11,85%.
A composição do mercado, contudo, variou ao longo do trimestre. Em Maio, a BFA Capital Markets liderou as negociações, com 14,54% do volume total, enquanto a Prospectum Capital chegou a figurar entre os três maiores intermediários em Abril. Os dados apontam, assim, para uma disputa mais repartida entre os participantes do mercado.
O movimento coincide com o crescimento da base de investidores. No segundo trimestre, foram abertas 2.920 novas contas CEVAMA, mais 62,76% do que no período homólogo, de acordo com a CMC. O aumento das contas não permite, por si só, concluir que a liquidez tenha crescido na mesma proporção, mas revela uma expansão da participação no mercado.
A evolução das quotas também mostra uma alteração na distribuição da actividade de intermediação. Em vez de uma liderança concentrada no BNA, o segundo trimestre apresentou uma maior participação de sociedades privadas, com ÁUREA, BFA Capital Markets, HCPS e Prospectum Capital entre os principais intervenientes nas diferentes operações e momentos do trimestre.
Os dados da CMC não atribuem a alteração a uma causa específica. A redução da participação do BNA e o avanço dos intermediários privados devem, por isso, ser lidos como movimentos observados no período, e não como evidência isolada de uma mudança estrutural definitiva.
Ainda assim, a diferença entre os segundos trimestres de 2025 e 2026 é expressiva: em um ano, a participação do BNA na perspectiva de venda caiu de 45,77% para 20,90%, enquanto a ÁUREA passou a ocupar a primeira posição.
É uma mudança que merece acompanhamento nos próximos trimestres, sobretudo para perceber se a redistribuição das quotas se consolida ou se resulta, em grande medida, da composição específica das operações realizadas no período.