O regulador registou a oferta pública de subscrição de uma nova emissão do BAI, com 50 mil milhões de kwanzas de montante inicial e possibilidade de lote suplementar de 7,5 mil milhões. A operação prevê a aplicação dos recursos em projectos com benefícios ambientais e sociais.
A Comissão do Mercado de Capitais (CMC) aprovou o registo da Oferta Pública de Subscrição das Obrigações Sustentáveis do BAI, uma operação que poderá colocar até 57,5 mil milhões de kwanzas no mercado, caso seja integralmente exercida a opção de lote suplementar.
A emissão inicial será composta por até 5 milhões de obrigações, com valor nominal de 10 mil kwanzas cada, correspondendo a um montante máximo de 50 mil milhões de kwanzas. O BAI poderá acrescentar outros 7,5 mil milhões através do lote suplementar. As obrigações deverão ser admitidas à negociação em mercado de bolsa.
Mais do que uma nova emissão de dívida, a operação amplia as alternativas de financiamento disponíveis para o BAI e, ao mesmo tempo, dá aos investidores acesso a um instrumento associado ao financiamento de projectos com dimensão ambiental e social.
A operação surge depois de o banco ter recorrido ao mercado de capitais com a emissão das Obrigações BAI 2026–2031, que levantou 50 mil milhões de kwanzas. A procura atingiu 105,7 mil milhões de kwanzas, mais do dobro do montante oferecido, com um rácio de cobertura de 211,41%.
O dado é relevante para a nova operação: existe já evidência recente de procura por dívida corporativa do BAI. A nova emissão testa, porém, uma dimensão diferente — a capacidade do mercado angolano de absorver instrumentos cuja utilização dos recursos está vinculada a objectivos de sustentabilidade.
Para o banco, a operação também se enquadra numa estratégia mais ampla de diversificação das fontes de financiamento. No relatório e contas de 2025, o BAI destacou a emissão de obrigações corporativas como parte do esforço para diversificar a sua estrutura de funding e contribuir para o aprofundamento do mercado de capitais angolano.
A CMC faz, entretanto, uma distinção importante: o registo da oferta confirma a sua conformidade legal, mas não constitui uma garantia sobre a situação financeira do BAI, a viabilidade da operação ou a qualidade das obrigações. Essa avaliação continua a caber ao investidor.
A nova emissão coloca, assim, dois movimentos no mesmo quadro: de um lado, um banco que procura ampliar as suas fontes de financiamento; do outro, um mercado de capitais que começa a receber operações de maior dimensão e com estruturas financeiras mais específicas.
O desafio agora será medir a resposta dos investidores a este novo instrumento e perceber até que ponto a procura por financiamento sustentável consegue transformar-se em capital para projectos concretos da economia.