O investimento no Kizomba C pretende prolongar a produção de um dos principais activos petrolíferos de Angola.
Os parceiros do Bloco 15 vão investir mais de 3 mil milhões de dólares no projecto Kizomba C, destinado a modernizar as instalações de Mondo e Saxi-Batuque e prolongar a sua operação até 2032. A Decisão Final de Investimento foi confirmada em Novembro de 2025 pela Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG) e pelos parceiros do bloco.
O investimento procura recuperar recursos ainda disponíveis e manter a produção de um activo que tem uma longa história na indústria petrolífera angolana. Segundo a ANPG, o Bloco 15 já produziu mais de 2,7 mil milhões de barris de petróleo e acumulou mais de 47 mil milhões de dólares em investimentos ao longo de mais de três décadas.
A ExxonMobil, através da Esso Exploration Angola, é a operadora do bloco. A estrutura de participação inclui ainda a Azule Energy, a Equinor e a Sonangol Exploração e Produção. A produção do Bloco 15 começou em 2003, depois da sua criação em 1994.
O novo investimento ocorre numa fase de maturidade de vários activos petrolíferos angolanos. À medida que os campos envelhecem, a manutenção da produção passa a depender cada vez mais de investimentos em equipamentos, tecnologia e recuperação de recursos.
O Kizomba C enquadra-se nessa lógica. Em vez de representar uma nova descoberta, o projecto procura prolongar a capacidade produtiva de infraestruturas e reservas já conhecidas.
A aposta em activos existentes ocorre paralelamente ao desenvolvimento de novos projectos. Em Junho de 2026, a Azule Energy e os seus parceiros aprovaram um investimento de 5,1 mil milhões de dólares no projecto Greater PAJ, no offshore angolano, com o primeiro petróleo previsto para 2029.
Os dois projectos mostram que o investimento no upstream angolano está a ocorrer em diferentes frentes: de um lado, a extensão da vida útil de activos maduros; do outro, o desenvolvimento de novos recursos.
Para as empresas, a decisão de investir depende da expectativa de retorno económico, dos custos de produção e dos recursos que podem ser recuperados. Para Angola, a continuidade destes projectos está relacionada com a manutenção da produção petrolífera, das exportações e das receitas associadas ao sector.
O impacto económico, contudo, dependerá de vários factores, incluindo os níveis de produção alcançados, os custos dos projectos, os preços internacionais do petróleo e a participação de empresas e trabalhadores nacionais na actividade.
Por enquanto, o dado mais concreto é o capital comprometido: mais de 3 mil milhões de dólares para prolongar a produção de um dos activos históricos do petróleo angolano.