ECONOMIA

ANGOLA PREPARA-SE PARA ENTRAR NO MERCADO DO NIÓBIO

É neste mercado que Angola se prepara para entrar. O projecto da Niobonga, localizado no Complexo Mineiro da Bonga, na província da Huíla, envolve um investimento estimado em 136,6 milhões de dólares. O Governo prevê o início da exploração ainda em 2026. Na visita realizada ao projecto em 29 de Agosto, o ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo, encontrou a operação numa fase avançada de preparação.

O nióbio pode parecer distante da economia do dia-a-dia, mas está ligado a algumas das indústrias que mais valorizam materiais de alto desempenho. É utilizado na produção de determinados aços e ligas metálicas, contribuindo para aumentar a resistência e, em algumas aplicações, reduzir o peso. Daí a sua utilização na siderurgia, indústria automóvel, construção e sector aeroespacial.

O interesse de Angola está também na estrutura deste mercado. Poucos países concentram grande parte da produção mundial, com o Brasil na liderança e o Canadá entre os principais produtores. O Governo espera que a entrada do projecto de Quilengues coloque Angola nesse grupo restrito.

Mas chegar ao mercado é apenas uma parte da história. Ter um recurso no subsolo não significa, por si só, ter uma indústria competitiva. Será preciso saber quanto poderá ser produzido, a que custos, com que qualidade e para quais mercados. Energia, transporte, processamento e acesso a compradores serão igualmente determinantes para perceber se o projecto conseguirá transformar o recurso mineral num negócio sustentável.

Em Quilengues, alguns efeitos já são visíveis. Segundo o MIREMPET, o projecto criou cerca de 1.000 empregos directos e 200 indirectos, além de infraestruturas como uma escola e sistemas de abastecimento de água. São números relevantes para uma economia local, embora o impacto económico de longo prazo só possa ser avaliado quando a operação estiver efectivamente em produção.

É aqui que a história ganha interesse para Angola. Diversificar a economia não é apenas retirar mais recursos do subsolo. É conseguir criar mais actividade económica à volta desses recursos. Empresas locais, fornecedores, trabalhadores especializados, serviços de transporte, manutenção e processamento podem determinar quanto valor fica no país depois de o minério sair da mina.

Essa será uma das questões a acompanhar quando o projecto entrar em funcionamento. A produção de nióbio poderá abrir uma nova actividade mineira, mas também colocará à prova a capacidade de Angola de construir uma cadeia de valor à volta de um recurso que ainda não tem tradição comercial no país.

Por isso, os 136,6 milhões de dólares são apenas o ponto de partida. Os números que virão depois serão mais reveladores: produção, custos, vendas, exportações, emprego e participação de empresas angolanas.

Se o projecto avançar como previsto, Quilengues poderá deixar de ser apenas o local de uma nova exploração mineira. Poderá tornar-se o ponto de entrada de Angola num mercado mineral estratégico e numa actividade que, até agora, praticamente não fazia parte da economia nacional.

Um investimento de 136,6 milhões de dólares em Quilengues pode colocar Angola num mercado mundial dominado por poucos produtores.

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